#PapoFurado

domingo, 24 de abril de 2011

Novo blog: Alfaiate de Verbos


Pessoal, por enquanto estarei postando meus poemas e crônicas no http://alfaiatedeverbos.wordpress.com


Devem estar se perguntando: Por que outro blog? Eu respondo: Não sei. Quis fazer rs! Lá está mais minha cara. Tem poemas inéditos e crônicas que nunca escrevi. Tirando os entulhos da gaveta.

Desde já agradeço a visita!

domingo, 27 de março de 2011

Pigarro Gatuno

E quem disse que o pigarro
almeja o êxodo do cuspe?
Viver nesse mundo ilustre
é o respingo da sapiência
de alguns loucos,
poucos
corajosos
(como nós)

Quem está fora
não quer vir.
Quem está dentro chora...
Ou ri?

É cedo
e a garganta
é quente!
Pra quê sair?

Importuno!
Disse o pigarro gatuno:
E quem não é?

Diego Schaun - 09 de Março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Água

De que vale esse interesse?
Todos só querem água,
águas de qualquer coisa...

De que vale esse interesse?
Todos só querem água!
Quem almeja outra coisa?
Tudo isso é sede.

Explicação de outros sentimentos
é pura mentira!
No fundo
(do poço)
todos tem sede.

Sede de viver,
sede de ser livre...
E quem é livre?

Até a poesia tem palavras comedidas,
com medidas,
extensões,
gráficos,
vírgulas,
regras...

Gente,
tudo isso é sede.
Também estou com sede,
salivando com uma pitada de alegria
por ter palavras que não precisam
de vozes para informarem.
Só olhos analfabetos!

No fundo, é sede.
Todos só querem água.
Até Cristo teve sede.

Repito:
Explicação de outros sentimentos
é pura mentira!
No fundo
(do poço)
todos tem sede.

Água, venha banhar-nos!
Somos humanos erosivos,
pedregosos.
Mate a sede desse peso morto,
absorto
no supérfluo,
de costas para o céu,
de barriga para cima,
de frente para o nada.

Mate a sede-fênix
que é imortal
até o último suspiro da secura.

Deixe molhada a loucura,
feliz por patrocinar
alguns felizardos
que não entendem
o que não merece ser entendido.

Redescubro-me em Janeiro
e não me entendo amanhã!

Encontro-me
na sede de viver,
sede de ser livre...
E quem é livre?

Qualquer calibre
de vida
se limita
em sede.

Todos só querem água.
Água, codinome chave,
laureada augusta,
aclamada, Ave!

Diego Schaun – 18 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Infantes

Infantes...
Infantis a cruzar mares.
Vamos brincar de fincar bandeiras?
Vamos!
Contra a cultura,
sonham com a ruptura
de um povo!
Na verdade, eles nem sabem
o que é cultura!
Estão à altura
de um monte de nada...


Infantes...
Hostis imigrantes do velho mundo.
Não pensavam em nenhum segundo
na construção desses Brasis
individuais de cada dia...
Na verdade, eles nem sabiam construir sonhos!
Queriam usufruir
um monte de nada...

Infantes...
Não sou contra aos imigrantes,
nem a vós, oh infantis infantes!
Apenas explico que antes
não existiam amantes
ou longínquos viajantes
que queriam crescer
com a brava gente brasileira!
Pura asneira...
É normal o errante vil
esconder-se no Brasil!


Diego Schaun - 26 de Abril de 2010

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Apoteose enfadonha

Hoje se parece comigo.
O monstro se espreita atrás da porta.
Alguém fala: motivação!
Era outra língua...

Tudo é sempre igual
na ocupação fútil dos versos.
Alguém fala: pare!
Não dei ouvidos...

Num diálogo
do espelho
via-se troca de olhares e mímicas!

O anjo quebrou protocolos
e levou o convite ao monstro
que nada entendia.
Gritaram: Por que?
Alguém respondeu asneiras...
(não dei ouvidos)

Num diálogo
do espelho
via-se troca de sorrisos e acenos.

A porta se abriu
e eu vi o monstro.
Naquele instante
ele era rei e eu o súdito.
Ele era a pele e eu a víscera.
Era um deus e eu também!

O medo se dissipou
e o monstro-deus ascendeu.
Eu não quis ir.
Alguém havia dito:
"Todos vós sois deuses"
(esqueci)

Me conformei com
a vida pacata
de fazer serenata
para janelas fechadas
e amores dos outros.

Quando me dei por conta,
hoje era ontem,
eu não era um deus,
e a língua era a mesma.

Olhar preso em asneira...
Caneta escrevendo o tempo perdido...
Essa é a meta
do poeta.
Encontrar na curva
a reta...
Ler na seta
uma poesia
(parecida comigo).

Diego Schaun - 25 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poema suicida

Tarda a chegar...
Temperança...
Tarde...
Crepúsculo...
Opúsculo de monge...
Claves de Belchior...
Dante...
Desde ontem eu tento
exprimir poemas difíceis
como os falsetes dos cantores mineiros.

Qual a importância de minha arte?
O trabalho está sendo realizado?
Alguém entende aí?
Tenho recebido respostas
do meu próprio brado-eco
nascido nas cavernas populares.

Minha poesia grita “Jerônimo”
e despenca da garganta do Diabo.
Ainda acredito que lá embaixo
existe uma cama-elástica.
(não para apará-la),
penso que para impulsioná-la
à goela do céu!

O último suspiro
desse poema lamento
é beber o vento
da queda...

Ao toque do interruptor
penso que no labor
de minha poesia
tudo paira...

O verso se joga no abismo
(extinguindo sua vontade)
e somente cai pelo egocentrismo
da gravidade.

O último suspiro
desse poema suicida
é dar vida
a milhões de verbos paraplégicos
que sobrevivem do não movimento
graças à cera de ouvidos
que desconhecem a surdez.

O último suspiro
desse poema tarda a chegar.
Demora muito daqui a pouco.
Agora já foi!

Já é tarde, oh poesia.
Tua rima não encanta mais!
As palavras têm vertigem,
pois temem o martírio assaz!

Desde ontem eu tento jogar fora o poema
para que ele visite o lixo, o chorume.
E que lá, ele obtenha o costume
de descobrir as entrelinhas
e enxergar além das etimologias...
Desde ontem almejo um poema vazio,
um vazio de volume!

Diego Schaun – 29 de Janeiro de 2011

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