Tarda a chegar...
Temperança...
Tarde...
Crepúsculo...
Opúsculo de monge...
Claves de Belchior...
Dante...
Desde ontem eu tento
exprimir poemas difíceis
como os falsetes dos cantores mineiros.
Qual a importância de minha arte?
O trabalho está sendo realizado?
Alguém entende aí?
Tenho recebido respostas
do meu próprio brado-eco
nascido nas cavernas populares.
Minha poesia grita “Jerônimo”
e despenca da garganta do Diabo.
Ainda acredito que lá embaixo
existe uma cama-elástica.
(não para apará-la),
penso que para impulsioná-la
à goela do céu!
O último suspiro
desse poema lamento
é beber o vento
da queda...
Ao toque do interruptor
penso que no labor
de minha poesia
tudo paira...
O verso se joga no abismo
(extinguindo sua vontade)
e somente cai pelo egocentrismo
da gravidade.
O último suspiro
desse poema suicida
é dar vida
a milhões de verbos paraplégicos
que sobrevivem do não movimento
graças à cera de ouvidos
que desconhecem a surdez.
O último suspiro
desse poema tarda a chegar.
Demora muito daqui a pouco.
Agora já foi!
Já é tarde, oh poesia.
Tua rima não encanta mais!
As palavras têm vertigem,
pois temem o martírio assaz!
Desde ontem eu tento jogar fora o poema
para que ele visite o lixo, o chorume.
E que lá, ele obtenha o costume
de descobrir as entrelinhas
e enxergar além das etimologias...
Desde ontem almejo um poema vazio,
um vazio de volume!
Diego Schaun – 29 de Janeiro de 2011